Wednesday, March 19, 2008

LENDA DE ALMOROLON

No longínquo séc. XII, pouco antes da chegada de D. Afonso Henriques e seus cavaleiros ao Tejo, o Castelo de Almourol tinha como senhor um emir árabe, de seu nome Almorolon. Terá sido por causa do seu nobre gesto que o castelo ficou com o nome que tem.
O emir habitava no castelo com a sua filha, uma formosa donzela, que enchia de beleza não só o castelo como toda a paisagem à sua volta.
Mas um dia, tão formosa dama apaixonou-se por um jovem cavaleiro cristão, e cega pela paixão, ensinou-lhe como poderia entrar no castelo, durante a noite, para repetidas visitas amorosas.
Numa dessas noites, o jovem cristão, não foi sozinho, e abriu as portas do castelo para um exército invadir esse bastião dos mouros.
Foi de forma traiçoeira que o castelo foi conquistado.
Mas no final, o amor de pai foi mais forte e perdoou a inconsciência de sua filha. Preferindo a morte ao cativeiro, Almorolon e sua filha, lançaram-se abraçados das muralhas do castelo ao rio.

POLINARDA E MIRAGUARDA

Conta-se que algures no séc. XVI, duas damas de nobre linhagem, uma, Miraguarda, e a outra, Polinarda, tendo um dia ido visitar o castelo, ao tempo habitado pelo gigante Almourol, foram por este feitas suas prisioneiras. Bem tratadas, mas impedidas de saírem da custódia do gigante.
O noivo de Polinarda era Palmeirim, um heróico combatente que andava pelo mundo em busca de glórias que dedicava à amada. Ao saber do sequestro da noiva, Palmeirim de pronto decidiu regressar para resgatar Polinarda daquele cativeiro. Deparou-se, porém, com um árduo opositor, pois o Cavaleiro Triste, apaixonado por Miraguarda, defendia o castelo e guardava as damas cativas.
Palmeirim, desafiado para um duelo entre cavaleiros, não recuou. Bateram-se ao longo de horas e horas, sempre com as apaixonadas no pensamento. Exaustos, sem que se apurasse um vencedor, os cavaleiros decidiram suspender o combate para sarar feridas e recompor as forças e as armas.
Foi então que em seu socorro de Palmeirim veio um outro gigante, de nome Dramusiando, que o nobre havia convertido à sua fé durante as suas expedições pelo mundo. Com esta ajuda de Dramusiando, o recuperado Palmeirim alcançou enfim a vitória sobre o gigante Almourol e sobre o Cavaleiro Triste, que se puseram em fuga, abrindo mão das suas cativas.
Palmeirim pôde, finalmente, voltar aos braços da sua amada Polinarda e gozar o descanso do guerreiro mergulhado no prazer do amor, enquanto Dramusiando se tornou senhor do castelo e assumindo a guarda fiel às duas damas, Polinarda e Miraguarda.

A FURIA SEM PERDÃO DO CAVALEIRO D. RAMIRO

Conta-se, que em tempos muito idos, D. Ramiro, um destemido e impiedoso cavaleiro, regressado de mais uma campanha vitoriosa sobre os mouros, cruzou-se com duas mulheres, mãe e filha, a quem exigiu que o servissem de água. Fê-lo de forma rude. A jovem, assustada com os modos brutais do cavaleiro-guerreiro, deixou cair a bilha, que se quebrou. Irado, Ramiro lançou-se sobre as duas mulheres e, cego de fúria, acabou com a vida das duas. A mais jovem, porém, antes de morrer, amaldiçoou o guerreiro e toda a sua descendência. No momento em que se consumava a morte brutal das duas mulheres surgiu, já sem oportunidade para as salvar, um jovem mouro: era filho de uma e irmão de outra das mulheres que jaziam prostradas aos pés do furioso cavaleiro. Este, bem treinado em lutas, fez do jovem seu prisioneiro, e levou-o consigo para o castelo.
Este D. Ramiro vivia no castelo com a sua mulher e a filha, Beatriz. Apesar de prisioneiro do fidalgo guerreiro, jovem mouro jurou vingar a morte da sua mãe e irmã. Escolheu para alvo desta sua vingança, as duas damas do castelo, a mulher e a filha de Ramiro. À esposa do cavaleiro, fez tomar todos os dias, sem que o soubesse, um veneno de acção lenta que pouco a pouco a fez definhar e morrer. Angustiado com a perda, D. Ramiro parte para novas batalhas, deixando Beatriz confiada à protecção do mouro. Então, o amor, correspondido, entre os dois foi mais forte e a jura de vingança ficou abandonada.
Regressado das batalhas, o nobre tinha outras intenções para a sua filha: que esta casasse com um jovem cavaleiro da sua fé.
Sabendo de tal situação e para não perder Beatriz, o jovem mouro contou-lhe toda a história, desde a morte da sua família até ao seu desejo de vingança. A jovem perdoou-lhe, e ambos, cada vez mais apaixonados, fugiram do castelo e desapareceram para sempre… ou talvez não, porque, diz-se, nas noites de São João, se olharmos para o alto da torre de menagem, aparece a imagem do eternamente jovem casal apaixonado, abraçado com, a seus pés, prostrado, a pedir perdão, D. Ramiro. Mas o mouro responde-lhe, na lenda, de forma dura e inflexível: maldição!!!

MILAGRE DAS ROSAS




Conta-se que, no ano de 1333, em Portugal, houve uma fome terrível, durante a qual nem os ricos eram poupados. Para aliviar a situação de fome, D. Isabel empenhou suas jóias e mandou vir trigo de lugares distantes para abastecer o celeiro real, e assim manter seu costume de distribuir pão aos pobres durante as crises.
Num desses dias de distribuição, apareceu inesperadamente o rei. Temendo a censura, ela escondeu os pães no regaço. O rei percebeu o gesto e perguntou surpreso:- Que tendes em seu regaço?
A rainha, erguendo o pensamento ao Senhor, disse em voz trêmula:
- São rosas, senhor.
O rei replicou:
- Rosas em janeiro? Deixai que as veja e aspire seu perfume.
Santa Isabel abriu os braços e no chão, para pasmo geral, caíram rosas frescas, perfumadas, as mais belas até então vistas.
O rei Diniz não se conteve e beijou as mãos da esposa, retirando-se enquanto os pobres gritavam: Milagre, milagre!